terça-feira, 13 de novembro de 2012

DIA E NOITE, NOITE E DIA

Certa feita um homem chamado Jó amaldiçoou o dia em que nasceu...
Nas nossas vidas houveram dias que não deveriam ter existido, mas a vida é assim...
Dias de angústia, noites de dor...
Choros e prantos, ranger de dentes...
Desilusão, desamor, desavenças e desacertos não deveriam existir, más existem... existem para que como Jó, venhamos a sofrer, sofrer calados, ou sofrer gritando e amaldiçoando os dias, e também as noites de sofrimento e angústias que esta vida muitas vezes nos proporciona...
Assim também como aquele homem, seremos dignos de sofrer os nossos carmas, as nossas provações... Amaldiçoar o dia que nascemos, ou as noites que sofremos, más nunca se rebelaremos contra o Criador do mundo, do sistema solar, do ciclo de dias e noites... porque assim como dias tristes e noites dolorosas vieram, também virão dias e noites maravilhosas que vamos lembrar e celebrar pro resto de nossas vidas...
Vamos celebrar e vida, não desistindo nunca, enfrentando dias e noites sombrios, e celebrando os dias e as noites maravilhosas que tivemos e que ainda teremos, exaltando e agradecendo ao Criador por tudo isso...

quinta-feira, 30 de agosto de 2012

Estou na torcida por você

Ainda me lembro do seu primeiro dia de aula, ainda guardo recortes de revistas que você fez para formar as primeiras frazes da sua vida...
Quanto orgulho senti quando no dia dos pais, junto a um presente maneiro, um bilhete com sua letra torta e meio sem forma me homenageava dizendo: fElIz dIA DoS pAIs, eU tE aMo Do fUnDo Do MeU CorAcAo! Tudo está bem guardado, entre os meus documentos, dentro do meu coração...
Não me contia de alegria, eu tinha certeza, você seria o melhor... Você seria diferente de mim, (que não tive a mesma sórte) -embora eu gostasse de estudar, meus estudos sempre foram interrompidos, pelas muitas separações dos meus pais, que por conta disso me tiravam da escola-, pelo menos você estava tendo a chance de estudar, seu pai e sua mãe sempre te incentivaram, e nunca te tiraram da escola, por nenhum motivo, apesar das dificuldades...
Um filho estuda não somente para dar orgulho aos seus pais...
Um filho estuda para ter dignidade, para ser alguém na vida, estuda para não precisar ser direcionado, e muito menos inganado ou manipulado por ninguém...
Sinto falta daquele filho dedicado a aprender algo, daquele filho que tinha orgulho de chegar da escola e cantar as musicas educativas que havia aprendido, " b a ba, ba, b e be, be , b i bi..." Tabém sinto falta daquelas viagens de ônibus em que no meio do caminho você me chamava a atenção para mostrar o letreiro, a placa de rua... Que você acabara de ler, eu tinha certeza, este meu garoto tem futuro!!!
O que aconteceu meu filho? Cadê você? Você não é esse cara que está querendo ser... Perdeu o desejo de impressionar seu pais? Tudo bem, eu entendo, você cresceu e percebeu que eu sou cheio de defeitos, más não pode nunca desistir de si mesmo... É o seu futuro que está em jogo, são seus filhos que virão que você vai precisar impressionar a partir desta transição adolescência/adulto...
Não entregue seu futuro à sorte, faça acontecer, não deixe que manipulem você como se fosse marionete, porque o mundo de hoje é muito competitivo, e não se expante se amanhã, aquele que te induz ao erro hoje, te passar a perna...
Reaja, enquanto a tempo, eu conheço a sua capacidade e sei que você pode muito mais que isso, se eu não mereço, faça isso por você, pela mulher que você vai amar e casar, e por seus filhos que virão, que eu vou ficar aqui, sempre TORCENDO POR VOCÊ...

quarta-feira, 22 de agosto de 2012

Remédio para falta de macheza


Todo bom caçador não entra na mata sem suas tralhas, seu emborná, sua cartucheira, e seu cão farejador...
Dente de alho no bolso, camisa amarrada com nó cego na altura do umbigo garantem que as cobras peçonhentas mantenham distância, fumo de corda enrolado em palha, quando aceso, pernilongo nenhum resiste (não só eles)...
Todo bom caçador tem suas manhas e superstições...
Seu Antéro, veio de minas com toda a sua família morar por algum tempo em São Paulo, embora morasse no interior deste estado, não ficou por muito tempo por ali... Certo dia pegou a todos e se mudou para o Acre. Foi viver a vida ao seu jeito... Ali ele podia caçar à vontade... Quase todos os dias embrenhava mata adentro, e nunca voltava sem novidades...
E como gostava de contar história... Quando parava para contar suas peripécias, tinha que ter paciência para ouvir... (pensa que é só pescador que aumenta, suas histórias?) Certa vez voltou ao bairro onde morava em São Paulo, e cheio de histórias mirabolantes, encantava a todos alí no barzinho da Maria... Chegou com uns pedaços de nervos, e dizia a todos que aquilo ali era "pica de anta" (dos animais que "dizia",caçava aos montes lá no Acre) e que servia de remédio afrodizíaco... Homem bom de proza, não demorou muito para convencer a muitos ali, e vender vários daqueles nervos que dizia ser afrodizíaco (pica de anta), se a "pica de anta" resolveu algum problema de falta de macheza da velharada que dera ouvidos ou seu Antero, não se sabe, o que se sabe é que ninguém voltou para reclamar... E que, os trocados que seu antero arrecadou com a "marretágem", foram suficiêntes para não deixar suas contas penduradas no bar da Maria...

sábado, 28 de julho de 2012

O tenente, o rábula e o juiz

No sertão de Pernambuco, décadas passadas, os delegados eram escolhidos dentre os tenentes da polícia pernambucana. Invariavelmente, o critério da escolha era, além da divisa de oficial, a valentia. Quanto maior a bravura, melhor. Era designado prioritariamente. Se tivesse então trocado fogo com Lampião, ou com o bando dele, maior a cotação e o cartaz. Se a valentia era grande, a cultura era nenhuma. Os delegados do sertão pernambucano, na sua totalidade, eram analfabetos e dos bons.
Feito este intróito, indispensável à clareza do que vai avante, segue-se o relato ocorrido na cidadezinha dos Malta.
Foi para lá nomeado delegado um desabrido tenente, da Força Pública local. Homem macho, que não rejeitava parada, por mais indigesta que fosse. Assim que foi nomeado, por portaria, delegado da localidade, quis logo testar seu poder. Bastava que alguém olhasse para ele um pouco mais demorado, para ouvir logo o berro:
- Teje preso, seo bandido! Nunca viu delegado em sua vida? Pois tá preso, até segunda ordem.
Para encerrar a advertência, saltava correndo o latinório dura lex, sed lex, que, para sua santa ignorância, era dito assim:
- Comigo é no duro: séde léque, séde, léque!
E acrescentava:
- É pra prová a minha portaria de nomeação.
Sucedeu então que um rábula, um tanto apressado, requereu um hebeas corpus. Concedida a ordem pelo juiz da comarca, apresentou-se à polícia, com a ordem de soltura imediata.
- É para soltar o homem, seu tenente.
- Soltar quem?... O preso tá preso e bem preso.
- É uma ordem de habeas corpus, tenente - redarguiu o rábula.
-Bescorpo não manda aqui, não.
Quem manda aqui é o doutor juiz... Ninguém mais. Séde léque, séde léque.
E quase, quase o delegado não dava cumprimento à ordem judicial.




Texto escrito pelo advogado Paulo José da Costa JR., no jornal TRIBUNA DO DIREITO, que foi estraído do livro Crônicas de um Criminalista, Editora Saraiva.

sexta-feira, 27 de julho de 2012

O AMOR, AH O AMOR !

Amor que faz menina levada pular a janela do seu quarto,de madrugada só pra se encontrar com a pessoa amada. Amor que a menina escolheu pra si. Por ele seu coração bateu mais fórte, foi por ele que também arriscou a própria sórte... Menina pura, protegida a sete chaves pela mãe e pelos irmãos. Que encontrou no amor a esperança misturada com a certeza, de que vale a pena ser feliz ao lado do seu amado custe o que custar...
O amor arde em seu coração, deixou de ser ilusão, transpôs a barreira da paixão. No momento da transição a menina tomou uma decisão... De caso pensado ou premeditado, resolveu, se renderia aos encantos de seu amado, seu principe encantado merecia conhecer seu íntimo, estava preparada.
O amor fez a menina perder a razão, más o que é a razão, diante da paixão que em plena transição estava se tornando amor? fosse dar ouvidos à razão e não se encontraria com seu amado nunca. Se dependesse da vontade de seus irmãos e de sua mãe, nunca se encontraria nas madrugadas frias com seu amado, não sentiria seu cheiro, não beijaria sua boca, muito menos sentiria o calor do seu corpo. Porisso espereva todos dormirem, e silenciosamente colocava a cadeira proximo à janela e sorrateiramente todas as noites fujia de casa para se encontrar com seu amado, só retornava lá pelas tantas da matina.
Que se dane a razão, eu quero é ser feliz, encontrei alguém com quem quero dividir meus sentimentos, minhas elegrias, minha vida... Meu amor me espera, pra mais uma noite de viagem à felicidade...
Não fosse fórte o anjo da guarda da sua mãe e a menina perderia a sua pureza antes do tempo... Oportunidade não faltou, más, tanto a menina louca de amor, quanto o seu príncipe encantado, esbarraram na ansiedade e inesperiência...
A menina sapéca, levada da bréca estava certa, valeria à pena se arriscar por seu amor incondicional, tanto que por muito tempo continuou pulando a janela de casa, para no frio da madrugada se encontrar com seu amado. O calor do seu corpo, o doce do seu beijo... Ele a tratava de um jeito tão doce e ao mesmo tempo tão selvagem que as suas pernas até estremeciam. Louca de amor, de desejo, de paixão, a menina não conseguia conter a emoção daqueles momentos maravilhosos, e os encontros às escondidas já não ficara mais no anonimato, logo os vizinhos de sua mãe começaram a comentar as "barbaridades" que achavam ver, e não demorou muito para aquela mãe religiosa descobrir as peripécias de sua menina única, e em um momento de puro desespero de mãe, misturado com imaturidade para lidar com situações adversas, entra em uma discussão ferrenha com a menina doida-varrida de amor. Não deu outra, na ignorância de mãe que ama um filho, resolveu diciplinar a sua filha a colocando pra fora de casa para ver se sua menina refletia sobre o "mau" que fizera e se arrependesse...
A menina estava louca, más estava louca de amor, e não da cachola. Foi procurar o seu amado para saber se poderia ficar morando com ele, e o rapaz também louco de amor aceitou na hora, juntaram os "panos de bunda" e foram morar juntos.
Coitada daquela mãe sofredora, sem saber, entregou sua filha amada, pura como veio ao mundo para viver uma vida de casada com um rapaz que a conhecia a muito pouco tempo (quatro meses). Mais uma vez o anjo da guarda daquela mãe desesperada a ajudou, pois o moço que namorava a menina a amava com a mesma intensidade, e a recebeu como esposa, e daquele dia, até os dias de hoje já se passaram mais de 8.700 dias de puro amor. Juntos estes dois meninos são muito felizes, sentem um pelo outro nos dias de hoje, mais tezão do que no início onde reinou a inesperiência, conhecem um ao outro como a palma da mão, fazem votos para juntos para viver até que a morte os separe, como um dia mais tarde juraram diante do altar de Deus e serem felizes para sempre.

sexta-feira, 20 de julho de 2012

Meninos cantores

Menino carente, desde que se conhece por gente, se aproxima de gente, e com isso se sente mais gente.
Seus primeiros amigos foram seus irmãos. Foi ao lado deles que brincou de esconde-esconde, polícia e ladrão, futebol de botão, bolinha de gude e pião. Também ao lado de seus irmãos desafiou as leis do pai que era muito bravo e rigido. Certa vez sairam pelo bairro a brincar e se afastaram de perto da casa dos pais sem avisa. O pai que era muito rigido e bravo tinha por costume assobiar para chamar os ilhos para dentro de casa. Era o aviso. Apos o assobio quem estivesse na rua teria que entrar imetiatamente. O pai bravo assobia a primeira vez. nada de resposta. assobia mais umas duas vezes e nada de resposta dos moleques fujoes... eles nao ouviram o chamada,não responderam o assobio e muito menos caminharam para casa como de costune. Eles nesse dia como estava muito calor decidiram que iriam a uma mina d"agua que tinha ali perto de sua casa para se refrescarem um pouco... O pai cansado de chamar resolveu sair a procurar os fujoes. Ja separou uma bela varinha de marmelo e saiu ao encontro dos desobedientes.
Aquela tarde na mina para os meninos estava sendo uma maravilha so... As roupas separadas para nao molhar na agua fria,enlameados e molhados os meninos se divertiam e cantavam. Onde vai com essa roupa tao danada Maria se na cacimba nao tem agua pra lavar... Tudo muito bom, tudo muito bem se nao fosse o fato de que o pai bravo ja estava ha muito tempo a sua procura. O fato e que com a chegada do pai a cantoria se tornou em vchoro, lagrimas e gritaria e tambem rendeu umas boas riscas nas pernas, causados pelo atrito da vara de marmelo.Tudo isso por não terem ouvido o sonido do assobio do pai bravo. Enquanto a vara cantava nas nas canelas secas dos meninos fujões, o pai bravo também cantava ao mesmo tempo que educava os meninos ao seu modo... O pai batia e cantava a mesma canção que os meninos entoavam antes do pai bravo chegar... Talvez por estarem cantando e fazendo barulho na água da mina, não escutaram o assobio do pai, sinal claro que a hora de brincar chegava ao fim, e de que de onde estivessem teriam que largar tudo e correr pra casa para ajudar nos afazeres domésticos...
Maldita música. Enquanto o Toninho cantava, " onde vai com essa roupa tão danada Mariá? se na cacimba não tem água pra lavar..." Dinei e seu irmão o acompanhavam. Cantavam e arrastavam a bunda na lama, e depois pulavam na água represada da mina onde se limpavam, ou melhor, no começo se limpavam, mas na hora em que a brincadeira foi interrompida, já não se distinguía o que era lama, e o que era água limpa... Foi ai que o pai bravo e já cansado de tanto assobiar chegou e pos fim a brincadeira e com o "chico doce" ditava o rítmo da dança...
Dizem que depois deste dia, nunca mais os meninos fujões cantaram aquela música maldita.

sexta-feira, 13 de julho de 2012

Meu avô palmeirense

Palmeiras campeão da Copa do Brasil...
Qual família de palmeirense não tem um corintiano como membro, e vice versa? Ou qual familia de corintiano que não tem um sãopaulino...?
Na quarta-feira, quando o Palmeiras foi campeão da Copa do Brasil, além de me lembrar de grandes e ilústres amigos que tenho que são palmeirenses, (não vou nem citar nomes para não correr o risco de esquecer alguém) me lembrei do mais ilústre de todos, o patriarca da família da minha mãe, meu avô João. Se não me falha a memória, na minha família, palmeirense eram só meu vô João e meu tio Beto.
Todos os domingos o vô João seguia um mesmo ritual, acordava cedo,ia à feira a uns cem metros de sua casa, quando voltava sentava em seu sofá grande, com lugar para aproximadamente seis, e acompanhava as noticias de esporte no programa semanal, Esporte Espetacular, acompanhava ali todas as notícias da jornada esportiva daquele domingo...
Sempre sentado no mesmo canto do sofá, vô João acompanhava também os programas dominicais, más na expectativa que chegasse logo a hora do jogo do seu Palmeiras, para ver seu time jogar, e se não fosse televisionado, ele acompanhava TV até o horário do jogo, e quando o jogo ia começar, ele corria para seu quarto para ouvir o jogo no seu motorádio, sempre ligado nos 1000 ouvia a narração de Osmar Santos. Era o único momento, fora os dias que ele não estava, que alguém ousava sentar no lugar do "Barão" ao sofá -ele se parecia muito com o Barão do Rio Branco, da nota de um mil cruzeiros, e por conta disso era chamado de Barão no bairro onde morava, menos por nós, pelo menos na frente dele ninguém tinha coragem de chemá-lo de Barão-.
Vô João era um homem muito trabalhador, desde quando veio da Bahia para São Paulo começou a trabalhar na construção civíl, e de tão esforçado e apaixonado pelo trabalho, se tornou Mestre de Obras e comandava as equipes nas obras que tocou por São Paulo afora. Sempre muito sereno e educado, nunca ouví um palavrão sair da boca do meu avô, nem mesmo quando o juiz roubava o seu Palmeiras...
Quantas saldades do meu avô, a gente tocava o terror na casa dele e ele sempre muito paciênte, nós so nos aquietávamos quando minha avó, dona Dé intervia...
Naquela época eu nem pensava em acompanhar futebol, más me lembro bem que a vinheta do esporte espetacular era a mesma de hoje, tocada de uma forma diferente, quem apresentava era o Léo Batista, nos intervalos comerciais reinavam as duchas corona e sua vinheta, e também o creme dental Kolinus...
Que saldade daquela época, tudo tão lindo, tão poético... Acho que herdei bastante coisa do caráter do meu avô, entre elas, a serenidade e o gosto por construção e arquitetura. Más se tem uma coisa que dou graças a Deus por não te-lo "puchado" foi o amor pelo Palmeiras, senão assim como ele, seria uma minoria entre o bando de loucos Corintianos que reinam nesta família.
Se vivo estivesse tenho certeza, que colocaria sua camisa do porco, e comemoraria muito, más sempre com muita serenidade, más que ele ficaria muito feliz, ah isso ficaria, ainda mais depois de doze anos sem soltar o grito de campeão de um campeonato tão importante.