sexta-feira, 13 de julho de 2012

Meu avô palmeirense

Palmeiras campeão da Copa do Brasil...
Qual família de palmeirense não tem um corintiano como membro, e vice versa? Ou qual familia de corintiano que não tem um sãopaulino...?
Na quarta-feira, quando o Palmeiras foi campeão da Copa do Brasil, além de me lembrar de grandes e ilústres amigos que tenho que são palmeirenses, (não vou nem citar nomes para não correr o risco de esquecer alguém) me lembrei do mais ilústre de todos, o patriarca da família da minha mãe, meu avô João. Se não me falha a memória, na minha família, palmeirense eram só meu vô João e meu tio Beto.
Todos os domingos o vô João seguia um mesmo ritual, acordava cedo,ia à feira a uns cem metros de sua casa, quando voltava sentava em seu sofá grande, com lugar para aproximadamente seis, e acompanhava as noticias de esporte no programa semanal, Esporte Espetacular, acompanhava ali todas as notícias da jornada esportiva daquele domingo...
Sempre sentado no mesmo canto do sofá, vô João acompanhava também os programas dominicais, más na expectativa que chegasse logo a hora do jogo do seu Palmeiras, para ver seu time jogar, e se não fosse televisionado, ele acompanhava TV até o horário do jogo, e quando o jogo ia começar, ele corria para seu quarto para ouvir o jogo no seu motorádio, sempre ligado nos 1000 ouvia a narração de Osmar Santos. Era o único momento, fora os dias que ele não estava, que alguém ousava sentar no lugar do "Barão" ao sofá -ele se parecia muito com o Barão do Rio Branco, da nota de um mil cruzeiros, e por conta disso era chamado de Barão no bairro onde morava, menos por nós, pelo menos na frente dele ninguém tinha coragem de chemá-lo de Barão-.
Vô João era um homem muito trabalhador, desde quando veio da Bahia para São Paulo começou a trabalhar na construção civíl, e de tão esforçado e apaixonado pelo trabalho, se tornou Mestre de Obras e comandava as equipes nas obras que tocou por São Paulo afora. Sempre muito sereno e educado, nunca ouví um palavrão sair da boca do meu avô, nem mesmo quando o juiz roubava o seu Palmeiras...
Quantas saldades do meu avô, a gente tocava o terror na casa dele e ele sempre muito paciênte, nós so nos aquietávamos quando minha avó, dona Dé intervia...
Naquela época eu nem pensava em acompanhar futebol, más me lembro bem que a vinheta do esporte espetacular era a mesma de hoje, tocada de uma forma diferente, quem apresentava era o Léo Batista, nos intervalos comerciais reinavam as duchas corona e sua vinheta, e também o creme dental Kolinus...
Que saldade daquela época, tudo tão lindo, tão poético... Acho que herdei bastante coisa do caráter do meu avô, entre elas, a serenidade e o gosto por construção e arquitetura. Más se tem uma coisa que dou graças a Deus por não te-lo "puchado" foi o amor pelo Palmeiras, senão assim como ele, seria uma minoria entre o bando de loucos Corintianos que reinam nesta família.
Se vivo estivesse tenho certeza, que colocaria sua camisa do porco, e comemoraria muito, más sempre com muita serenidade, más que ele ficaria muito feliz, ah isso ficaria, ainda mais depois de doze anos sem soltar o grito de campeão de um campeonato tão importante.

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