terça-feira, 11 de outubro de 2011

Inocência perdida.

Chaleira enfumaçada,na chapa quente do fogão à lenha,água fervendo é despejada no coador de pano com três ou quatro colheres de café,à boca do bule,com açúcar ao fundo.Mais um dia se Inicia,enquanto a molecada troca de roupa para ir á escola,dona Nilda prepara a mesa com aquele café cheiroso,feito com muito carinho.sobre a prateleira o rádio ligado no programa do Zé Bétio,anunciando a hora de tempos em tempos,e tocando música sertaneja de qualidade.a molecada se trocando,sentindo o cheirinho de café e cantarolando as modas de viola que tocavam.de roupa trocada corriam para a mesa,onde o café estava servido,o pote de farinha de milho,aberto sobre a mesa,cada um pegava a porção que bastava para fazer uma mistura homogenia e pronto,era só se alimentar,sempre ao som de Zé Bétio e de ouvido na hora,para não perder a aula.
Os Filhos de dona NILDA.assim como ela,gostavam muito de ouvir aquele programa divertido,seu filho mais velho lembra com carinho daquela época.Lembra também que foi nesta mesma época que teve uma das maiores decepções da sua vida.
Se arrepende do dia em que pediu para sair com seu pai seu José.Juntos foram ao centro da cidade e no caminho,passaram por congonhas,ali próximo do aeroporto,e seu pai lhe chama a atenção dizendo: filho olha,aqui fica o prédio da rádio Record,de onde o Zé Bétio,faz o programa.O menino curioso,olha por todos os lados e espantado,afirma e pergunta,não é aqui não pai,onde está o trem que leva o Zé Bétio embora?
Mediante o silêncio do seu pai por não saber como responder,e as gargalhadas que um passageiro do banco ao lado no ônibus,soltou,o menino caiu em si,e naquele momento uma fantasia de anos caía por terra,e a inocência daquele garoto,deu lugar a um sentimento muito estranho,a vergonha,mau da pré adolescência.

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