Alma triste e abatida, coração aflito por um amor perdido, lá vai o moço mais uma vez a procura da felicidade perdida.
Quantas vezes desprezou o amor daquela que ao seu lado estava, que o amava incondicionalmente. Ele não percebia que ele era tudo pra ela, ou percebia e não tinha coragem de se expressar ou mudar de vida. Mas em um amanhecer de segunda, após ficar todo o final de semana fora, não encontrou mais aqueles que sempre esperavam por sua volta, apenas um bilhete com um desabafo daquela que humilhada e cansada pelos constantes deslises do seu incorrigível marido, foi-se embora.
Agora sozinho, sem rumo, saia todos os dias para destino desconhecido a procura da felicidade perdida, na verdade ele sabia onde sua felicidade estava, mas era orgulhoso o suficiente para não reconhecer que estava errado. Então ele andava errante, por caminhos escuros e sombrios, à procura de conforto para sua alma. Quem sabe naqueles copos de cerveja, ou naquelas gramas de uma droga proibida não estavam a porção mágica que o fizesse esquecer todo o sofrimento da perda de sua amada? Ou será que estava precisando de serviços das profissionais do amor?
Mas que nada, ele estava era cada vez mais envolvido em um mundo distante da realidade, e a frustração o acompanhava por todos os dias de sua vida. Quantas vezes no auge do arrependimento, ele amaldiçoou o dia em que teve um encontro com as drogas, e com a bebida, mais com eles estava envolvido até os ossos. O que era só uma diversão para tirar um pouco da angustia do seu coração, virou uma necessidade. Quantas vezes na calada da noite, aquele moço de boa família e de aparência, chegava no morro à entrada da biqueira e em meio a pessoas perigosas, embrenhava naquele labirinto procurando pelo pó branco, que lhe daria "energia" para encarar uma noite longa e perigosa. Do seu amor, não se lembrava mais, seus filhos e sua amada, já não eram mais a prioridade para ele. Agora ao lado de malandros e meretrizes era sempre visto, ele não fazia nem questão de esconder.
Coitado daquele moço, ficou só a pele e osso. Sua vida agora era curtir à noite e dormir de dia, sem forças para o trabalho, sem forças para retomar sua vida. Ao invés de se reerguer, preferiu culpar aquela que cansada de esperar, foi viver sua vida bem longe da má influencia que ele causava. E em mais uma daquelas noites sombrias, no auge da fissura reapareceu para tentar um acordo com aqueles seus credores antigos na biqueira do morro, mas não sabia que sua sentença já havia sido dada, e de lá nunca mais voltou ou foi visto, dizem algumas vozes anonimas por ai, que ele foi para o microondas.
Aqui relato algumas historias veridicas,outras fictícias de forma simples.Não sou escritor,poeta ou algo do gênero,mas gosto de escrever.Reconheço não haver muita concordância na ortografia dos meus relatos,mas ésta foi a melhor forma que encontrei para contar,algumas histórias e pensamentos que me vem à mente.
sexta-feira, 27 de janeiro de 2012
quarta-feira, 18 de janeiro de 2012
A mulher que ama
A mulher que ama, sofre calada. Quantas vezes ela queria gritar, espernear e dizer para o seu amado, olha eu estou aqui, veja como estou bonita, sai da frente desta televisão, deste computador, e perceba que me produzi toda para você. Mas ela sabe que se dizer tudo que quer, será mau interpretada, e por isso sofre...
Sofre porque não sabe onde está o pensamento vago do seu amado, sofre porque não sabe o motivo que ele não chegou no horário esperado para o almoço, ou para o jantar, porque ao invés de passar um final de semana ao seu lado, prefere dedicar parte do seu tempo aos amigos, e ao seu hobby predileto... Por outro lado se sente como uma rainha quando ele emfim, resolve expressar seus sentimentos e dizer o quanto a ama, o quanto ela é importante para ele. Talvez ele não perceba, mas tudo que ela quer, é um pouco mais de atenção, um pouco mais de carinho. Ela que dedica quase todo o seu tempo para o bem estar do seu amado, só quer que ele seja justo, e divida o seu tempo da maneira mais justa possível, ao invés de dedicar quase todo o seu tempo ao seu bel prazer...
Ora é perfeitamente possível e humano até, ele se divertir, e dedicar um pouco do seu tempo para o seu lazer. Mas está por fora, ele achar que sua vida se resume a trabalhar, e quando tem um tempo de folga, se dedicar mais ao bem próprio, do que ao bem comum. Está na hora de ele reconhecer este amor, e se esforçar um pouco mais para satisfaze-la, ou então corre o risco de ter dentro de casa uma mulher deprimida, sem vontade de se arrumar, sem vontade de ser aquela mulher linda e perfeita que ele sempre teve, e que sempre adorou ter e quer continuar tendo. Porem não sabe que o maior combustível para que uma mulher que ama muito continue amando, é pura e simplesmente, o reconhecimento, e não só o reconhecimento mas também a recíproca. Porque quem quer continuar sendo amado, também precisa amar, e amar a ponto de abrir mão de coisas, que as vezes não quer abrir mão, mais que é perfeitamente dispensável.
quarta-feira, 11 de janeiro de 2012
O agasalho marrom e a chuteira Topper
Ser jovem e não poder usar as roupas que queria, por falta de condições para comprar, no meu tempo de criança era um pouco angustiante, mas até normal, porque todos, na escola, no convívio do dia a dia... se vestiam com muita simplicidade, roupa nova mesmo só em alguma ocasião especial, ou no final de ano, quando alguns pais que trabalhavam recebiam o decimo terceiro salário, e compravam roupas novas para toda a família para se usar o ano todo. E lá em casa, a tropa era grande, imagina então a dificuldade para vestir toda aquela criançada ( eram dez crianças, seis meninos e quatro meninas). No nosso caso era um pouco mais difícil, pois desde que me conheço por gente, meu pai já estava aposentado, e vida de aposentado no brasil já sabemos a miséria que é. E como eu sou o mais velho dos irmãos da família, e desde muito pequeno, já passava por dificuldade. Pode- se imaginar que ninguém nesta família teve vida fácil.
Ter um pai que sofreu a vida inteira para sustentar sua família, e saber que mesmo passando por dificuldades, ele sempre correu atras para dar o sustento aos seus filhos, e nunca abandonou o barco. Me faz admirá-lo ainda mais, porque hoje sendo eu um pai de família, sei a dificuldade que é, manter uma casa, sustentar os filhos, dar-lhes roupas, material escolar, comida, brinquedos... Claro que ele não conseguia dar sempre o melhor para nós, mas o que ele podia fazer por nós, ele fazia. Lembro- me de quando eu e meu irmão Claudinei, já estávamos um pouco crescidos demais para usar roupas muito velhas ou muito ultrapassadas para nossa idade, meu pai fez um financiamento em uma loja e nos comprou dois agasalhos da topper idênticos em formato e cor, e também comprou uma chuteira da mesma marca para mim, porque sabia que eu adorava jogar futebol, e achava que estava na hora de eu jogar com chuteira e não mais com o meu kichute velho, furado bem perto do bico, um pouco antes da borracha que protegia este.
Fiquei feliz da vida com os presentes, e não via a hora de chegar a segunda feira para mostrar para meus amigos o presente que meu pai havia me dado. A noite de domingo para segunda, perecia que não chegava nunca, quase não dormi direito. Então quando emfim chegou o grande dia, minha mãe não precisou nem me chamar como fazia todos os dias, e nem precisou insistir para eu sair logo da cama, pois estudar era preciso para eu ser alguém na vida, naquela segunda feira, o discurso todo foi desnecessário. Pulei rápido da cama e me vesti com tanta vontade que bati o recorde de tempo. Coloquei meu agasalho marrom, calça e blusa, meião e também a chuteira (coitado de mim, nem imaginei que iria ser o dia mais longo de aula da minha vida) e parti.
Chegando na escola com aquele agasalho bonito, listrado com duas listras brancas nas laterais, e todo marrom, logo meus amigos notaram que era novo, também não era pra menos, como não notar, eu só faltava esfregar na cara deles... O duro foi eu ter tido a infeliz ideia de ter colocado a chuteira nos pés para ir à escola, os moleques quando perceberam que eu estava de chuteiras na escola, e não de tênis, como era o natural, começaram a rir, e a rir tanto,que eu não sabia onde enfiar a cara de tanta vergonha. O potóque, potóque que fazia a cada passo que eu dava na escola, (parecendo um barulho do salto alto, que as mulheres usavam, ou o cavalgar de um cavalo no asfalto), chamavam ainda mais a atenção da molecada, e de longe já gritavam, lá vem o jogador de futebol, onde vai ser o jogo hoje?, na quadra da escola?, mas dá para jogar de chuteiras?, e davam muitas risadas.
Quando deu o horário da merenda (intervalo), eu não coloquei minha cara para fora da sala. Pensa que eu fiquei livre da zoeira? Que nada, eles fizeram questão de terminar logo,suas refeições e voltar para sala, e mais risadas. Quem não era da classe, como o Tião, (que também tinha me visto na entrada) e não podia entrar na sala, para não ser surpreendido pela minha professora, vinha por traz da classe, e pela janela, me olhava, e perguntava, onde vai ser o jogo? E faltava rolar no chão de tanto rir.
O dia demorou a passar, mas passou, o sarro não parou, e por muitos dias se lembraram da gafe que eu tinha dado. Mas nem o sarro, nem a vergonha que passei, conseguiram tirar a felicidade, que senti por ter recebido um presente tão importante para mim. E o orgulho que senti do meu pai, por ter feito um esforço tão grande para fazer seu filho feliz.
Ter um pai que sofreu a vida inteira para sustentar sua família, e saber que mesmo passando por dificuldades, ele sempre correu atras para dar o sustento aos seus filhos, e nunca abandonou o barco. Me faz admirá-lo ainda mais, porque hoje sendo eu um pai de família, sei a dificuldade que é, manter uma casa, sustentar os filhos, dar-lhes roupas, material escolar, comida, brinquedos... Claro que ele não conseguia dar sempre o melhor para nós, mas o que ele podia fazer por nós, ele fazia. Lembro- me de quando eu e meu irmão Claudinei, já estávamos um pouco crescidos demais para usar roupas muito velhas ou muito ultrapassadas para nossa idade, meu pai fez um financiamento em uma loja e nos comprou dois agasalhos da topper idênticos em formato e cor, e também comprou uma chuteira da mesma marca para mim, porque sabia que eu adorava jogar futebol, e achava que estava na hora de eu jogar com chuteira e não mais com o meu kichute velho, furado bem perto do bico, um pouco antes da borracha que protegia este.
Fiquei feliz da vida com os presentes, e não via a hora de chegar a segunda feira para mostrar para meus amigos o presente que meu pai havia me dado. A noite de domingo para segunda, perecia que não chegava nunca, quase não dormi direito. Então quando emfim chegou o grande dia, minha mãe não precisou nem me chamar como fazia todos os dias, e nem precisou insistir para eu sair logo da cama, pois estudar era preciso para eu ser alguém na vida, naquela segunda feira, o discurso todo foi desnecessário. Pulei rápido da cama e me vesti com tanta vontade que bati o recorde de tempo. Coloquei meu agasalho marrom, calça e blusa, meião e também a chuteira (coitado de mim, nem imaginei que iria ser o dia mais longo de aula da minha vida) e parti.
Chegando na escola com aquele agasalho bonito, listrado com duas listras brancas nas laterais, e todo marrom, logo meus amigos notaram que era novo, também não era pra menos, como não notar, eu só faltava esfregar na cara deles... O duro foi eu ter tido a infeliz ideia de ter colocado a chuteira nos pés para ir à escola, os moleques quando perceberam que eu estava de chuteiras na escola, e não de tênis, como era o natural, começaram a rir, e a rir tanto,que eu não sabia onde enfiar a cara de tanta vergonha. O potóque, potóque que fazia a cada passo que eu dava na escola, (parecendo um barulho do salto alto, que as mulheres usavam, ou o cavalgar de um cavalo no asfalto), chamavam ainda mais a atenção da molecada, e de longe já gritavam, lá vem o jogador de futebol, onde vai ser o jogo hoje?, na quadra da escola?, mas dá para jogar de chuteiras?, e davam muitas risadas.
Quando deu o horário da merenda (intervalo), eu não coloquei minha cara para fora da sala. Pensa que eu fiquei livre da zoeira? Que nada, eles fizeram questão de terminar logo,suas refeições e voltar para sala, e mais risadas. Quem não era da classe, como o Tião, (que também tinha me visto na entrada) e não podia entrar na sala, para não ser surpreendido pela minha professora, vinha por traz da classe, e pela janela, me olhava, e perguntava, onde vai ser o jogo? E faltava rolar no chão de tanto rir.
O dia demorou a passar, mas passou, o sarro não parou, e por muitos dias se lembraram da gafe que eu tinha dado. Mas nem o sarro, nem a vergonha que passei, conseguiram tirar a felicidade, que senti por ter recebido um presente tão importante para mim. E o orgulho que senti do meu pai, por ter feito um esforço tão grande para fazer seu filho feliz.
quarta-feira, 4 de janeiro de 2012
Invadindo privacidades
Sujeito cômico, sistemático, cheio de superstições e manhas, mas no geral um cara legal. Quando estava de folga do serviço, religiosamente colocava sua bandana na cabeça e embarcava no seu Gurgel rumo à baixada santista. Adorava cair na estrada com seu carro antigo, mas bem conservado, seu hoby predileto.
No serviço, operário padrão, sempre um dos primeiros a chegar. Gostava de chegar adiantado para se trocar com tranquilidade e montar seu kit "sobrevivência". Dentro de sua mochila itens dos mais variados, biscoito de água e sal com gengelim , pão francês, patê de alho, café solúvel, leite em pó, radio a pilha, e o inseparável binóculo ( que segundo ele era oriundo do exercito russo, com longo alcance e visão noturna). Quando a maioria do pessoal chegava, ele já estava pronto e se direcionava para o seu posto de serviço, porque ele detestava a bagunça que o pessoal fazia quando se reunia naquele vestiário.
Sempre escalado em postos estratégicos, porque era um cara antigo no emprego e além de tudo dificilmente sentia sono, era um cara sempre vigilante. Mas mesmo que sentisse sono não teria como cochilar, porque nunca se trabalhava sozinho em postos estratégicos. Bom para quem gosta de trocar ideias, de conversar, mas quando o movimento estava tranquilo, ele gostava mesmo era de ficar focando seu binóculo e observando o que acontecia nos entornos daquela empresa. Com aquele instrumento, ele ficava horas, observando tudo que se passava por ali. quando uma lampada se acendia em alguma casa perto dali, ele logo direcionava seu binóculo russo, para ver se dava sorte de encontrar alguma "dona" generosa se trocando com a janela entreaberta, e praticamente não havia um dia sequer, que ele não tivesse uma historia para contar.
Aquele ritual, causava a curiosidade dos seus colegas de trabalho, e algumas raras vezes, ele emprestava seu binóculo para eles matarem a curiosidade. Não demorou muito, e uma boa parte dos seus colegas de trabalho começaram a adquirir aparelhos semelhantes (porém não russos, mas do Paraguai) para compartilhar desta pratica que divertia as madrugadas monótonas. Atividade que os mantinham acordados e alertas, tanto no seu trabalho quanto no que acontecia nas redondezas dali.
E o incrível é que as pessoas, mesmo estando em casa, de folga do trabalho, longe de obrigações... Seguem rituais e rotinas, que não quebram nem por decreto, e assim se tornam vulneráveis, e acreditem sempre vai ter alguém a posto esperando o momento certo para se deliciar ou se divertir vendo e compartilhando, daquilo que talvez, não lhe fosse de direito. Mas por descuido, ou por generosidade de alguém, se torna público. E com certeza isso será o combustível para que no dia seguinte, no mesmo bat horário, alguém ansioso, estará esperando para "invadir privacidades"...
No serviço, operário padrão, sempre um dos primeiros a chegar. Gostava de chegar adiantado para se trocar com tranquilidade e montar seu kit "sobrevivência". Dentro de sua mochila itens dos mais variados, biscoito de água e sal com gengelim , pão francês, patê de alho, café solúvel, leite em pó, radio a pilha, e o inseparável binóculo ( que segundo ele era oriundo do exercito russo, com longo alcance e visão noturna). Quando a maioria do pessoal chegava, ele já estava pronto e se direcionava para o seu posto de serviço, porque ele detestava a bagunça que o pessoal fazia quando se reunia naquele vestiário.
Sempre escalado em postos estratégicos, porque era um cara antigo no emprego e além de tudo dificilmente sentia sono, era um cara sempre vigilante. Mas mesmo que sentisse sono não teria como cochilar, porque nunca se trabalhava sozinho em postos estratégicos. Bom para quem gosta de trocar ideias, de conversar, mas quando o movimento estava tranquilo, ele gostava mesmo era de ficar focando seu binóculo e observando o que acontecia nos entornos daquela empresa. Com aquele instrumento, ele ficava horas, observando tudo que se passava por ali. quando uma lampada se acendia em alguma casa perto dali, ele logo direcionava seu binóculo russo, para ver se dava sorte de encontrar alguma "dona" generosa se trocando com a janela entreaberta, e praticamente não havia um dia sequer, que ele não tivesse uma historia para contar.
Aquele ritual, causava a curiosidade dos seus colegas de trabalho, e algumas raras vezes, ele emprestava seu binóculo para eles matarem a curiosidade. Não demorou muito, e uma boa parte dos seus colegas de trabalho começaram a adquirir aparelhos semelhantes (porém não russos, mas do Paraguai) para compartilhar desta pratica que divertia as madrugadas monótonas. Atividade que os mantinham acordados e alertas, tanto no seu trabalho quanto no que acontecia nas redondezas dali.
E o incrível é que as pessoas, mesmo estando em casa, de folga do trabalho, longe de obrigações... Seguem rituais e rotinas, que não quebram nem por decreto, e assim se tornam vulneráveis, e acreditem sempre vai ter alguém a posto esperando o momento certo para se deliciar ou se divertir vendo e compartilhando, daquilo que talvez, não lhe fosse de direito. Mas por descuido, ou por generosidade de alguém, se torna público. E com certeza isso será o combustível para que no dia seguinte, no mesmo bat horário, alguém ansioso, estará esperando para "invadir privacidades"...
sábado, 31 de dezembro de 2011
Que venha logo o fim de ano
Ah, que saudade das festas e reuniões de final de ano na casa da minha avó, dona Dé. Passávamos as vezes o ano todo sem ver os nossos tios, nossos primos... E no final de ano, desde o natal até a virada do ano novo, toda a família se reunia para celebrar o único momento no ano, em que todos nós, velhos moços e crianças se reuniam em torno de um único ideal, a confraternização.
Passar aquele período de festa ali na casa da minha avó, era tudo pra nós. Comida boa, presentes, brincadeiras, abraços e carinho, muita fotografia...
Já era costume, todos os anos, nós após ter ceado com a família, e ter confraternizado com todos ali presente,saiamos para a rua, e de casa em casa, passávamos cumprimentando amigos, e beliscando seus quitutes. Então era muito importante não encher a barriga logo na primeira ceia da noite, senão corria o risco de encontrar alguma coisa muito gostosa nas ceias dos vizinhos, e não ter mais lugar ao estomago para experimentar as mais diversas delicias que só se vê nas ceias de natal e ano novo. De barriga cheia, voltávamos correndo para a casa da dona Dé, era a hora de ouvir as maravilhosas historias, que cada um tinha vivido durante o ano. E ali no quintal daquela casa, todos reunidos ouvindo o noticiário criminal daquele bairro, muito bem explanado por minha avó, ( que nos bastidores era chamada carinhosamente por nós de " Gil Gomes") do tempo em que o crime não era tão banalizado como hoje, e qualquer noticia de furto ao varal de algum vizinho, era assunto interessantíssimo para todos nós.
Como esquecer das piadas do Tony, das brincadeiras do Vange, e os apelidos que metia em todo mundo, das historias do Gildo, da serenidade do Beto, da beleza das mulheres daquela família, minha mãe, minhas tias...Também não tem como esquecer, da falta que meu tio Silvio fazia para aquele momento tão importante para a família ( morrera atropelado, quando ainda era muito jovem, e foi ausente em inúmeras festas de final de ano).
Aquela festa fantástica, era tão boa, mas tão boa, que quando chegava, o dia de voltar para casa, muitos de nós, íamos embora chorando, implorando aos nossos pais, para nos deixar mais um pouco por ali. Mas como nem sempre isto era possível,pois a vida continuava, partíamos com a esperança de que chegasse logo o final daquele ano que se iniciava, para vivermos outros momentos fantásticos como aquele.
Passar aquele período de festa ali na casa da minha avó, era tudo pra nós. Comida boa, presentes, brincadeiras, abraços e carinho, muita fotografia...
Já era costume, todos os anos, nós após ter ceado com a família, e ter confraternizado com todos ali presente,saiamos para a rua, e de casa em casa, passávamos cumprimentando amigos, e beliscando seus quitutes. Então era muito importante não encher a barriga logo na primeira ceia da noite, senão corria o risco de encontrar alguma coisa muito gostosa nas ceias dos vizinhos, e não ter mais lugar ao estomago para experimentar as mais diversas delicias que só se vê nas ceias de natal e ano novo. De barriga cheia, voltávamos correndo para a casa da dona Dé, era a hora de ouvir as maravilhosas historias, que cada um tinha vivido durante o ano. E ali no quintal daquela casa, todos reunidos ouvindo o noticiário criminal daquele bairro, muito bem explanado por minha avó, ( que nos bastidores era chamada carinhosamente por nós de " Gil Gomes") do tempo em que o crime não era tão banalizado como hoje, e qualquer noticia de furto ao varal de algum vizinho, era assunto interessantíssimo para todos nós.
Como esquecer das piadas do Tony, das brincadeiras do Vange, e os apelidos que metia em todo mundo, das historias do Gildo, da serenidade do Beto, da beleza das mulheres daquela família, minha mãe, minhas tias...Também não tem como esquecer, da falta que meu tio Silvio fazia para aquele momento tão importante para a família ( morrera atropelado, quando ainda era muito jovem, e foi ausente em inúmeras festas de final de ano).
Aquela festa fantástica, era tão boa, mas tão boa, que quando chegava, o dia de voltar para casa, muitos de nós, íamos embora chorando, implorando aos nossos pais, para nos deixar mais um pouco por ali. Mas como nem sempre isto era possível,pois a vida continuava, partíamos com a esperança de que chegasse logo o final daquele ano que se iniciava, para vivermos outros momentos fantásticos como aquele.
sexta-feira, 23 de dezembro de 2011
Orquestra de morcegos
Café da manhã à mesa, já é hora dele chegar. Depois de uma semana de trabalho forçado, em fim um dia de folga, e tudo será diferente, ele vai chegar cedo e curtir sua família.
Algumas horas depois, o otimismo deu lugar à incerteza. Não acredito que ele não virá cedo novamente.Não posso esperar mais, estou com fome, vou me alimentar.Ele não veio,mas deve ter acontecido alguma coisa, ele me prometeu que não iria mais chegar tarde. Vou ligar para saber o que aconteceu. Meu Deus ninguém atende. Não há de ser nada, vou preparar o almoço, porque vai chegar com fome, e então aproveitaremos para curtir a tarde juntos. Após o almoço esfriar, a constatação. É, ele não vem,deve estar por ai, aprontando das suas.
Alheio a tudo que acontecia com ela, ali estava eu novamente, enchendo a cara com meus amigos em uma mesa de bar. Afinal de contas ninguém é de ferro, depois de uma semana estressante, nada melhor que uma rodada de cerveja com os amigos, e um bom papo para relaxar. Cerveja vai, cerveja vem, papo vai, e a saideira não vem.O que vai,com muita pressa e sem avisar, são as horas. Quando percebo o sol já passou para o outro lado. Do nascente, se aproximando ao expoente. Quando resolvo olhar no celular para observar as horas, a surpresa dupla. Já estava se aproximando das quatorze horas, e varias mensagens de chamada não atendida. Mais uma vez eu teria sido cruel e covarde. No dia da minha folga, eu deveria estar em casa dando o carinho que minha família merece, e deixo minha esposa na mão a ponto de ligar,vinte, trinta vezes, sem nenhuma resposta. O sentimento de remorso era instantâneo, estava na hora de ir embora. Ô baixinho pendura nossa conta ai, dia cinco a gente acerta ( afinal de contas nós eramos da casa, pelo menos duas vezes por semana, passávamos por lá para tomar uma).
No caminho para casa, o mau estar devido ao alto teor alcoólico no sangue, era inevitável. Mas a consciência do ato covarde e terrível que cometera, brigava, com o sentimento de justiça do outro lado. (o lado da irracionalidade) Espera ai pô, ela não tem do que reclamar, não está faltando nada em casa, trabalho igual a um escravo e não tenho direito de me divertir?
Por outro lado sabia que quando chegasse em casa, a coisa iria esquentar, ela iria falar tanto... Mas estou errado e vou ficar na minha. Chagava em casa tão calado, parecendo um cordeiro a caminho do sacrifício...
Então ela começava a descarregar toda a sua ira, e eu calado, ela começava a falar mais e mais... Então o cordeiro, se irritava com as verdades, e com algumas outras inverdades, que ele não tinha como provar, por estar errado, e se transforma em lobo. Abaixando o nível da discussão para não sair por baixo. E no auge do machismo. Após uma discussão ferrenha, em que ela, pela enésima vez, me mandou embora, porque não precisava de um marido irresponsável. Eu fiz minhas malas, e fui morar no porão da minha casa, que estava em construção. E ali fiz companhia para os ratos,baratas, e outros insetos peçonhentos por um ano e meio.
O orgulho no meu coração era tão grande que, mesmo junto a todos estes insetos e animais peçonhentos, e uma orquestra de morcegos que cantavam a madrugada toda, e todas as noites que dormi ali, eu me recusava a voltar para casa. Afinal de contas ela que tinha por várias vezes me mandado embora. Então achava que ela que tinha que pedir desculpas para mim. Porém todas aquelas noites, mau dormidas, ao som da famosa orquestra, me fizeram refletir que eu estava errado. Que se ela me mandou embora, na verdade, queria colocar medo em mim, medo de perder toda a minha família, de perde-la, e eu ao contrario, tinha entendido tudo errado, achava que estava me afrontando, me desafiando.
Este tempo todo morando no porão gelado, e sem condições higiênicas adequadas, não fariam eu mudar de opinião, mas o medo de perde-la definitivamente, e também perder o respeito dos meus filhos me amedrontavam muito mais do que aquele som horrível de morcegos cantando, dando a sensação de que a qualquer momento iriam sugar meu sangue até a morte...Então resolvi deixar o orgulho de lado e me humilhar para aquela que com certeza me amava, mas magoada vivia sua vida em casa fechada, com nossos filhos, vivendo a desilusão de um casamento fracassado até então.
Conversamos, nos acertamos, e voltamos a viver juntos com os votos de que a partir de agora, só a morte nos separe, porque o que Deus uniu, não separe o homem...
Algumas horas depois, o otimismo deu lugar à incerteza. Não acredito que ele não virá cedo novamente.Não posso esperar mais, estou com fome, vou me alimentar.Ele não veio,mas deve ter acontecido alguma coisa, ele me prometeu que não iria mais chegar tarde. Vou ligar para saber o que aconteceu. Meu Deus ninguém atende. Não há de ser nada, vou preparar o almoço, porque vai chegar com fome, e então aproveitaremos para curtir a tarde juntos. Após o almoço esfriar, a constatação. É, ele não vem,deve estar por ai, aprontando das suas.
Alheio a tudo que acontecia com ela, ali estava eu novamente, enchendo a cara com meus amigos em uma mesa de bar. Afinal de contas ninguém é de ferro, depois de uma semana estressante, nada melhor que uma rodada de cerveja com os amigos, e um bom papo para relaxar. Cerveja vai, cerveja vem, papo vai, e a saideira não vem.O que vai,com muita pressa e sem avisar, são as horas. Quando percebo o sol já passou para o outro lado. Do nascente, se aproximando ao expoente. Quando resolvo olhar no celular para observar as horas, a surpresa dupla. Já estava se aproximando das quatorze horas, e varias mensagens de chamada não atendida. Mais uma vez eu teria sido cruel e covarde. No dia da minha folga, eu deveria estar em casa dando o carinho que minha família merece, e deixo minha esposa na mão a ponto de ligar,vinte, trinta vezes, sem nenhuma resposta. O sentimento de remorso era instantâneo, estava na hora de ir embora. Ô baixinho pendura nossa conta ai, dia cinco a gente acerta ( afinal de contas nós eramos da casa, pelo menos duas vezes por semana, passávamos por lá para tomar uma).
No caminho para casa, o mau estar devido ao alto teor alcoólico no sangue, era inevitável. Mas a consciência do ato covarde e terrível que cometera, brigava, com o sentimento de justiça do outro lado. (o lado da irracionalidade) Espera ai pô, ela não tem do que reclamar, não está faltando nada em casa, trabalho igual a um escravo e não tenho direito de me divertir?
Por outro lado sabia que quando chegasse em casa, a coisa iria esquentar, ela iria falar tanto... Mas estou errado e vou ficar na minha. Chagava em casa tão calado, parecendo um cordeiro a caminho do sacrifício...
Então ela começava a descarregar toda a sua ira, e eu calado, ela começava a falar mais e mais... Então o cordeiro, se irritava com as verdades, e com algumas outras inverdades, que ele não tinha como provar, por estar errado, e se transforma em lobo. Abaixando o nível da discussão para não sair por baixo. E no auge do machismo. Após uma discussão ferrenha, em que ela, pela enésima vez, me mandou embora, porque não precisava de um marido irresponsável. Eu fiz minhas malas, e fui morar no porão da minha casa, que estava em construção. E ali fiz companhia para os ratos,baratas, e outros insetos peçonhentos por um ano e meio.
O orgulho no meu coração era tão grande que, mesmo junto a todos estes insetos e animais peçonhentos, e uma orquestra de morcegos que cantavam a madrugada toda, e todas as noites que dormi ali, eu me recusava a voltar para casa. Afinal de contas ela que tinha por várias vezes me mandado embora. Então achava que ela que tinha que pedir desculpas para mim. Porém todas aquelas noites, mau dormidas, ao som da famosa orquestra, me fizeram refletir que eu estava errado. Que se ela me mandou embora, na verdade, queria colocar medo em mim, medo de perder toda a minha família, de perde-la, e eu ao contrario, tinha entendido tudo errado, achava que estava me afrontando, me desafiando.
Este tempo todo morando no porão gelado, e sem condições higiênicas adequadas, não fariam eu mudar de opinião, mas o medo de perde-la definitivamente, e também perder o respeito dos meus filhos me amedrontavam muito mais do que aquele som horrível de morcegos cantando, dando a sensação de que a qualquer momento iriam sugar meu sangue até a morte...Então resolvi deixar o orgulho de lado e me humilhar para aquela que com certeza me amava, mas magoada vivia sua vida em casa fechada, com nossos filhos, vivendo a desilusão de um casamento fracassado até então.
Conversamos, nos acertamos, e voltamos a viver juntos com os votos de que a partir de agora, só a morte nos separe, porque o que Deus uniu, não separe o homem...
domingo, 18 de dezembro de 2011
Um doce por um beijo
Tudo era uma brincadeira,
e foi crescendo,crescendo e me absorvendo,
e derrepente eu me vi assim,
completamente seu...
Esta musica já não estava mais nas paradas de sucesso, quando o amor invadiu o coração daquele homem, que acabara de completar os vinte anos, e achava que era um expert no que diz respeito a relacionamento entre homem e mulher. Achava que nunca iria se apaixonar, e feria os sentimentos alheios sem se dar conta de que, na maioria das vezes, uma mulher só se relaciona com um homem, quando tem algum sentimento.Para ele pouco importava, o que ele queria era se divertir.
Baladeiro, adorava uma roda de samba, de ir ao tradicional baile no Floresta FC, todos os finais de semana,e beijar na boca sem compromisso era uma obrigação.Caçador nato, ficava na espreita para ver se encontrava alguém interessante, e terminar noite acompanhado, de preferência alguém de que no dia seguinte ele não precisasse lembrar o nome,não queria ninguém grudado no seu pé.Mas algo inesperado aconteceu.Uma moça bonita, que era sua vizinha, começou a despertar a curiosidade,daquele rapaz. Ela que pouco saía de casa, derrepente aparece na rua, agora com mais frequência, e apesar de ser muito nova, (somente quinze anos) começou a chamar a atenção da molecada da área, por ser muito bonita, divertida, comunicativa...O garanhão logo cresceu os olhos na moça.Achava que se a conquistasse,estaria passando a concorrência para traz,e de quebra colando mais uma figurinha no seu album.
Mas como chegar perto daquela moça, pensava. Ela sempre acompanhada de muitas amigas e também os outros marmanjões estavam em cima,igual "urubú na carniça".Um pouco mais experiênte em relação aos "concorrentes", prefiriu adotar uma extratégia menos ostenciva, cortando caminho para tentar conquistar a moça (porque a molacada ia direto ao ponto,mostrando suas intenções maliciosas, e assustava a moça recém liberta do jugo familiar).Como já tinha certa amizade com os seus irmãos, se aproximou um pouco mais deles, para conhecer um pouco mais da rotina daquela bela jovem.Percebeu que o irmão caçula era muito paparicado por todos e principalmente por ela, que cuidava dele nos momentos que sua mãe e seus irmãos trabalhavam, e àquela época muito mais, porque sua mãe teria sofrido um AVC (acidente vascular cerebral) e perdido os movimentos do lado direito do corpo, e ela teria assumido a responsabilidade de cuidar do garoto.Então começou também a paparicar o pequeno garoto, sempre que o encontrava, a caminho do bar para comprar pão para a familia,(ele já tinha uns cinco ou seis anos) o espertalhão se aproximava do garoto e o acompanhava até o bar, e lá comprava vários doces para o menino.E sempre no caminho para o local dizia,que a irmã dele era muito bonita, e sempre mandava um recadinho para ela.Se ele estivesse certo seria quetão de tempo, e tudo se encaminharia para o bem,se a estratégia era boa ou não, ele não sabia, mais o fato é que ela pelo menos teria ficado mais simpática com ele.Agora já o comprimentava,sempre que ele estava por perto,ela cochichava algo,para sua amiga,e ficaram sorrindo, ele só não sabia era, se riam para ele, ou se riam dele.
E em um mês de julho muito frio de 1988,ele a encontrou perto da suas casas, e desta vez, estava só, ela abriu um enorme sorriso e o comprimentou, ele a respondeu e ficou mudo por alguns instantes, refeito do baque inicial, iniciou uma conversa fiada para tomar folego até que conseguisse pensar.Está muito frio hoje não? perguntou, ela sem titubear responde, sim, mas nada que não se resolva com o calor humano.O Don Ruam quase cai de costa com a respósta da moça, ele não imaginava que ela tomaria a iniciativa desta forma.Mas como ele esperava por este momento já ha alguns dias, se recompôs, entendeu o recado e partiu para o ataque.Não poderia deixar ela tomar conta da situação...
Muitos invernos,verãos e primaveras se passaram depois daquele inesquecível julho de 88,em que a caça se tornou caçador.Aquele que não queria as mulheres no seu pé,se vê acorrentado pela força do amor louco, incondicional, imortal... Do qual até hoje é escravo, súdito, dependente, e pelo tal não deseja ser liberto...
e foi crescendo,crescendo e me absorvendo,
e derrepente eu me vi assim,
completamente seu...
Esta musica já não estava mais nas paradas de sucesso, quando o amor invadiu o coração daquele homem, que acabara de completar os vinte anos, e achava que era um expert no que diz respeito a relacionamento entre homem e mulher. Achava que nunca iria se apaixonar, e feria os sentimentos alheios sem se dar conta de que, na maioria das vezes, uma mulher só se relaciona com um homem, quando tem algum sentimento.Para ele pouco importava, o que ele queria era se divertir.
Baladeiro, adorava uma roda de samba, de ir ao tradicional baile no Floresta FC, todos os finais de semana,e beijar na boca sem compromisso era uma obrigação.Caçador nato, ficava na espreita para ver se encontrava alguém interessante, e terminar noite acompanhado, de preferência alguém de que no dia seguinte ele não precisasse lembrar o nome,não queria ninguém grudado no seu pé.Mas algo inesperado aconteceu.Uma moça bonita, que era sua vizinha, começou a despertar a curiosidade,daquele rapaz. Ela que pouco saía de casa, derrepente aparece na rua, agora com mais frequência, e apesar de ser muito nova, (somente quinze anos) começou a chamar a atenção da molecada da área, por ser muito bonita, divertida, comunicativa...O garanhão logo cresceu os olhos na moça.Achava que se a conquistasse,estaria passando a concorrência para traz,e de quebra colando mais uma figurinha no seu album.
Mas como chegar perto daquela moça, pensava. Ela sempre acompanhada de muitas amigas e também os outros marmanjões estavam em cima,igual "urubú na carniça".Um pouco mais experiênte em relação aos "concorrentes", prefiriu adotar uma extratégia menos ostenciva, cortando caminho para tentar conquistar a moça (porque a molacada ia direto ao ponto,mostrando suas intenções maliciosas, e assustava a moça recém liberta do jugo familiar).Como já tinha certa amizade com os seus irmãos, se aproximou um pouco mais deles, para conhecer um pouco mais da rotina daquela bela jovem.Percebeu que o irmão caçula era muito paparicado por todos e principalmente por ela, que cuidava dele nos momentos que sua mãe e seus irmãos trabalhavam, e àquela época muito mais, porque sua mãe teria sofrido um AVC (acidente vascular cerebral) e perdido os movimentos do lado direito do corpo, e ela teria assumido a responsabilidade de cuidar do garoto.Então começou também a paparicar o pequeno garoto, sempre que o encontrava, a caminho do bar para comprar pão para a familia,(ele já tinha uns cinco ou seis anos) o espertalhão se aproximava do garoto e o acompanhava até o bar, e lá comprava vários doces para o menino.E sempre no caminho para o local dizia,que a irmã dele era muito bonita, e sempre mandava um recadinho para ela.Se ele estivesse certo seria quetão de tempo, e tudo se encaminharia para o bem,se a estratégia era boa ou não, ele não sabia, mais o fato é que ela pelo menos teria ficado mais simpática com ele.Agora já o comprimentava,sempre que ele estava por perto,ela cochichava algo,para sua amiga,e ficaram sorrindo, ele só não sabia era, se riam para ele, ou se riam dele.
E em um mês de julho muito frio de 1988,ele a encontrou perto da suas casas, e desta vez, estava só, ela abriu um enorme sorriso e o comprimentou, ele a respondeu e ficou mudo por alguns instantes, refeito do baque inicial, iniciou uma conversa fiada para tomar folego até que conseguisse pensar.Está muito frio hoje não? perguntou, ela sem titubear responde, sim, mas nada que não se resolva com o calor humano.O Don Ruam quase cai de costa com a respósta da moça, ele não imaginava que ela tomaria a iniciativa desta forma.Mas como ele esperava por este momento já ha alguns dias, se recompôs, entendeu o recado e partiu para o ataque.Não poderia deixar ela tomar conta da situação...
Muitos invernos,verãos e primaveras se passaram depois daquele inesquecível julho de 88,em que a caça se tornou caçador.Aquele que não queria as mulheres no seu pé,se vê acorrentado pela força do amor louco, incondicional, imortal... Do qual até hoje é escravo, súdito, dependente, e pelo tal não deseja ser liberto...
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